O conceito ainda está a assentar os primeiros tijolos em Portugal, mas é em locais próximos de universidades, grandes empresas ou parques de escritórios e transportes públicos que o coliving encontra espaço para se enraizar. Em julho de 2022, um dos principais polos universitários da cidade vai aumentar a oferta residencial a um público muito específico: estudantes e jovens trabalhadores, com um edifício de 280 apartamentos, entre estúdios e T1.


Se o encerramento de universidades durante o primeiro confinamento afastou os estudantes, o teletrabalho não teve o mesmo efeito nos profissionais mais jovens (entre os 25 e os 35 anos), que encontraram no conceito de coliving uma forma de, vivendo sozinhos, e em plena pandemia, não se sentirem isolados.


Por isso, e pela confiança na retoma de rotinas antigas, a Smart Studios vai dar início à construção na Asprela de uma residência virada para estes dois tipos de público. Serão 280 apartamentos para arrendamento, com valências comuns como salas de reunião, de estudo, de jantar, zonas de lounge, ginásio e um espaço para a prática de fitness e yoga.


Em entrevista ao Dinheiro Vivo, a administradora da Smart Studios, Vera Kendall, afirma que, numa altura de pandemia, “o coliving acaba por ser a solução ideal para esta nova realidade. Os nossos residentes têm a opção de trabalhar sozinhos nos seus estúdios com secretária, wi-fi, wc privados e kitchenette de forma a não terem de sair de casa, mas também contamos com amplas salas de estudo que permitem a utilização, garantindo as devidas distâncias de segurança".


A ideia de viver em espaços partilhados começou a ganhar força na cidade com a construção – ainda em curso – de uma unidade coliving destinada a uma população sénior. Foca-se na transformação de duas residências seculares e um antigo bairro operário na Rua do Bonjardim, junto à estação de Metro da Trindade, em 39 apartamentos. A obra, com 3.200 metros quadrados de construção, vai respeitar as "qualidades faciais, morfologia, volumetrias dos edifícios do século XIX", porque a ideia foi "pegar nos edifícios e no bairro operário do início do século XX e trazer o edificado para o século XXI, exacerbando as suas qualidades", dizia à Lusa o porta-voz da empresa em Portugal, Luís Afonso Oliveira, em novembro do ano passado.


A estes espaços, junta-se um restaurante, salas para aulas de yoga e pilates, um lounge com cozinha, uma sala multiusos com terraço e espaços interiores. Os parceiros nacionais da startup israelita explicavam também que a opção pelo Porto se devia “à sua fervilhante comunidade de expatriados de toda a Europa”, mas também às “qualidades espaciais e históricas únicas” do espaço na Baixa da cidade.

Mais artigos

  • Câmara Municipal do Porto


    Atualizado pela última vez 2021-02-16