Quando fazem as contas, os empresários dos divertimentos itinerantes ficam nostálgicos: já não se viam as luzes, não se ouvia a música nem sentia o cheiro desde o S. João de 2019. Desde sábado e até ao final do mês de junho, encontram na Boavista, nas Fontainhas e em Lordelo do Ouro locais que os vão ajudar a retomar a atividade.


“O senhor sabe quando abre a roda gigante? É que o meu filho nunca viu uma e nós viemos aqui de propósito para ele ver esta alegria”. Se motivos não faltavam para voltar, o presidente da MEID (Associação-Movimento Empresarial Itinerante de Empresas de Diversões e Similares) podia ter apenas este. Paulo Jorge sublinha que a criança teria cerca de dois anos, quase todos vividos em pandemia. Mas não era o único ávido pela chegada dos equipamentos. “Houve um senhor, devia ter uns 80 anos, que veio no fim de semana e disse que estava muito feliz porque finalmente ia poder comer uma fartura e estar fora de casa em segurança”, conta o responsável por uma das três associações com quem o Município do Porto assinou o protocolo.


“Sentimos como se fosse 25 de Abril”, desabafa Paulo Jorge, “para nós representa como se nos saísse o Euromilhões”. Para o empresário, este retorno tem um efeito não apenas económico, mas “psicologicamente sentimos que podemos fazer algo útil, não só para nós, mas também perante a sociedade, para que as famílias possam sair de casa com toda a segurança”.


Segurança é a palavra que todos sublinham. Para lá do apoio municipal, os Fun Parks seguem um rigoroso plano aprovado pela Direção-Geral da Saúde. Desde a vedação dos locais, o álcool-gel e a medição de temperatura à entrada, a lotação do espaço, o policiamento e a limpeza sistemática dos equipamentos.


Em harmonia está a zona das Fontainhas. Firmino Pires gere o negócio octogenário de farturas que foi herdado da família. Reconhecendo o “autêntico balão de oxigénio” que esta reabertura representa, o empresário diz sentir que “está toda a gente contente de nos ver. Havia muita vontade de voltar a ver feirantes, feiras, tudo o que fosse parecido com festas”.


Feliz por “voltar a casa”, Firmino Pires não tem dúvidas de que este mês “vai ser bom”, até porque, e estando nas Fontainhas, “é bom que haja um bocado de cheiro a S. João, não sendo S. João”. Isto porque, ao contrário dos outros dias, em que os Fun Parks estarão abertos entre as 12 horas e as 22,30 horas, na véspera de S. João, a 23 de junho, está previsto o encerramento às 18 horas.


Não haverá S. João, no sentido da festa tradicional, mas haverá sempre sardinhas. Quem o garante é Adelaide Gomes, dona de um restaurante itinerante nas Fontainhas. “Às sardinhas, ao caldo verde e às farturas as pessoas vêm sempre. O cheiro atrai”, diz, mostrando-se feliz “quando me disseram que a poder abrir aqui na minha cidade, e no mês do S. João”.

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    Atualizado pela última vez 2021-06-01