O que não falta na Montana Shop Porto é lata. São dezenas de cores a encher as paredes da loja de tintas para graffiti que dois jovens – uma portuense e um alemão – abriram na cidade com o objetivo de dar espaço para que as diversas formas de street art aconteçam. De Barcelona para o Porto, a Montana Colors traz cor, arte, um cuidado especial com o ambiente e muita vontade de desenhar por cima de pré-conceitos associados a quem encontra nas paredes uma forma de expressão.


Quando era adolescente, Marta Ferreira usava as paredes de fábricas abandonadas para experimentar a arte do graffiti. Uns anos depois, é ela a responsável por trazer para o Porto a mais antiga marca de tintas especializadas, a catalã Montana Colors, que, desde 1994, já pinta um pouco por todo o mundo: de Tóquio a São Paulo, de Banguecoque a Santiago do Chile. Depois da Invicta, já há planos para chegar a Nova Iorque.


O pai da ideia é Jordi Rubio, que abriu a empresa para permitir que “os amigos que pintavam graffiti tivessem tintas com mais qualidade do que as usadas para pintar carros ou vedações”, conta a responsável pela loja do Porto. Queria fazê-lo na empresa onde trabalhava, mas aí começavam os entraves e a descrença na arte. O catalão assumiu o risco e assim nascia a Montana Colors, com “uma gama com cores mais diversificadas e própria para o grafiti, e também mais acessível”.


O desejo de Jordi Rubio era “fazer do Porto uma pequena Barcelona” no mundo do graffiti e da arte urbana no geral. Porque há diferenças, esclarece Marta. “O graffiti mesmo são as letras, aquelas letras bem feitas, com cor e que são arte”, ainda que as pessoas o confundam “com aquelas frases rabiscadas nas paredes”. Já o muralismo “é mais cartoon, mais desenhado, é algo para ficar”, enquanto o graffiti se quer passageiro, para pintar por cima. Ambos são arte, afirma, “e ambos devem ser respeitados”. Na verdade, acredita, “hoje não existiria o street art se o graffiti não tivesse surgido”.


Na Montana Shop Porto há espaço para todos. Até mesmo para “as senhoras que querem pintar qualquer coisa em casa, ilustradores que vêm à procura de marcadores” ou “malta dos carros que leva sprays para pintar peças”. Para quem não tem experiência no graffiti, sejam as crianças “que ficam fascinadas com esta arte”, ou adultos à procura de algo mais técnico, os artistas MYNAMEISNOTSEM e Mariana PTKS dão workshops na loja. Mas Marta quer a Montana “aberta a malta que tenha ideias” e, por isso, outras formações já estão em andamento.



Promover os street artists da Invicta


Todos os meses há uma nova exposição – por aquelas paredes já passaram BellePhame e agora ali estão as figuras de Halloween do portuense Ekyone. Mas, porque “queremos ser mais do que uma loja de tintas”, a Montana tem um pequeno bar com comida vegan, confecionada por Matthias Tholen. Tudo ao pormenor: os cocktails têm as exatas cores das tintas vendidas, e não falta a marca Porto no café que vem da Combi Coffee Roasters, na cerveja Nortada, no pão da Odete Bakery e nos frescos que vão buscar à mercearia mesmo ali na esquina.


A unir a pintura estão duas filosofias: ser o mais possível amigo do ambiente – todos os sprays e materiais são 100% vegan -, e promover os artistas da cidade – os do graffiti, do muralismo, da ilustração, os que procuram espaços para praticar, os que fazem as primeiras experiências, ou nomes mais conhecidos como Hazul, autor da obra “Arca da Água”, Mariana Malhão, que homenageou o São João das Fontaínhas, ou MrDheo e o seu conhecido Mural da Trindade.


A Montana veio pintar o Porto com as cores da arte urbana, sem pré-conceitos, sem ilegalidades, fazer da cidade uma parede em branco para a criatividade.

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    Atualizado pela última vez 2021-11-11