A Coleção Miró, que vai ficar no Porto durante duas décadas e meia, já tem o espaço praticamente pronto para se fixar. Fruto dos protocolos entre a Câmara do Porto e a Fundação Serralves, 85 obras do artista catalão vão ser expostas na Casa de Serralves.


O processo para que a cidade passasse a ser a casa das obras de Joan Miró durante 25 anos começou logo aquando da inauguração da exposição “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, na Casa de Serralves, em 2016.


Dois anos depois, ao lado do primeiro-ministro, Rui Moreira anunciava o "Protocolo de Depósito e de Promoção Cultural” que a Câmara do Porto firmara com a Fundação Serralves, depois de o Estado Português, detentor da coleção, ter cedido as obras ao Município durante o período de 25 anos. Para o presidente da autarquia este era “um bom negócio para a cidade do Porto porque, de certa maneira, fomos os inspiradores da permanência da obra em Portugal".


À Câmara do Porto caberia a responsabilidade de proteção, conservação, divulgação e promoção cultural das obras, mas, na visão da autarquia, a Fundação seria a única entidade na cidade com capacidade técnica para assegurar todos aqueles propósitos, além do reconhecido e ambicioso programa de exposições de obras de arte de referência que desenvolve. Na altura, Rui Moreira afirmara que “esta decisão salvaguarda o interesse público e nacional".


E assim ficou acordado que a Coleção Miró ficaria na Casa de Serralves. O mesmo acordo definiu o financiamento para obras de ampliação, remodelação ou conservação daquele espaço de modo a garantir as condições para a permanência da exposição, uma intervenção entregue nas mãos do arquiteto Álvaro Siza Vieira. Com as obras em fase de conclusão, a Casa de Serralves vai poder mostrar as obras de Joan Miró ainda este ano, como previsto.


Em 2020, as obras de Miró foram classificadas como bens de interesse público. O despacho publicado em Diário da República sublinhava que a coleção constituía “um conjunto heterogéneo de criações realizadas ao longo de seis décadas, com recurso a diversos materiais, técnicas e suportes, incluindo, entre outros, óleos, aquarelas, desenhos, colagens e peças escultóricas, representando uma extensa e variada amostragem da obra do artista catalão".


Para obter esta classificação, as obras tiveram que passar pelo crivo da Secção dos Museus, da Conservação e Restauro e do Património Imaterial do Conselho Nacional de Cultura, mostrando refletir os critérios “relativos ao carácter matricial dos bens, ao génio do respetivo criador, ao seu valor estético e técnico intrínseco, e à sua importância na perspetiva da sua investigação histórica, às circunstâncias suscetíveis de provocarem diminuição ou perda da sua integridade”.

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    Atualizado pela última vez 2021-07-14