A Fundação de Serralves inaugurou a exposição Joan Miró: Signos e Figuração, na renovada Casa de Serralves, cujas obras de reabilitação foram conduzidas por Álvaro Siza Vieira. A Coleção Miró integra 85 obras do artista catalão e está depositada na Fundação de Serralves fruto de um protocolo estabelecido com a Câmara do Porto.


Propriedade do Estado Português e cedida ao Município do Porto por 25 anos, a Coleção Miró abrange seis décadas de trabalho de Joan Miró, de 1924 até 1981, entre pinturas, esculturas, colagens desenhos e tapeçarias, constituindo uma excelente amostra da sua obra, reveladora também da sua complexidade e das principais preocupações artísticas do autor.


Na cerimónia oficial da inauguração, o primeiro-ministro relembrou que a escolha da cidade do Porto para ser a fiel depositária da Coleção Miró se deveu ao facto de ser uma “cidade global”, com capacidade para ter em exibição as obras do artista catalão. “Estou satisfeito que tenha chegado a bom porto e deste Porto para o mundo para novas descobertas”, sublinhou.


“Escolhemos o Porto porque entendemos que era fundamental que um ativo desta natureza tivesse efetivamente nas mãos de uma cidade que, pelo seu dinamismo, pela sua história e pela estratégia que tinha do seu próprio desenvolvimento e da sua internacionalização poderia valorizar, como dificilmente outras fariam, uma coleção desta natureza”, declarou ainda António Costa, numa cerimónia em que também participou Ana Pinho, presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves.


A exposição agora inaugurada - Joan Miró: Signos e Figuração, traz à luz a coleção completa adquirida por Portugal e surge na sequência da conclusão das obras do projeto de recuperação e adaptação da emblemática Casa Rosa de Serralves. O projeto esteve a cargo de Siza Vieira, o primeiro Prémio Pritzker português.



Exposição realça lado estético da Coleção Miró


A exposição de Joan Miró não segue um formato linear e quem dela esperar um enredo cronológico vai ao desengano. “O meu critério para esta coleção extraordinária foi a estética – queria que estivesse o mais bonita possível”, afirmou, citado pela Lusa, Robert Lubar Messeri, curador do trabalho expositivo.


Nesse sentido, as obras foram agregadas por temas, como “o fascismo e a Guerra Civil Espanhola”, onde “dá para sentir a raiva nos quadros”, mas também tendo em conta “o desenvolvimento da língua gestual de Miró, os quadros selvagens, o protesto social, o tratamento e metamorfose da figura”, avançou o comissário da exposição.


Entre as particularidades da exposição, que abriu neste sábado ao público e pode ser visitada até março de 2022, destaque ainda para a transposição do trabalho de conservação, habitual nos bastidores de qualquer museu, para a frontline (linha da frente).


Joan Miró (1893—1983) foi um dos grandes “criadores de formas” do século XX, tendo desafiado os limites tradicionais dos meios em que trabalhou. Na sua arte, as diferentes práticas dialogam entre si, cruzando os meios: a pintura comunica com o desenho; a escultura seduz os objetos tecidos; e as colagens, sempre conjugações de entidades díspares, funcionam como princípio maior ou matriz para a exploração das profundezas do real.


A coleção proveniente do antigo Banco Português de Negócios (ex-BPN) esteve para ser alienada pelo Estado Português. Foi classificada, em 2020, como de interesse nacional, num despacho que reconheceu a sua lógica, em termos de manifestação da produção artística de Joan Miró.


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    Atualizado pela última vez 2021-10-14