A Igreja de São Pedro de Miragaia acolhe o que os especialistas consideram ser um “notável tríptico quinhentista”. Este exemplar da escola holandesa, pintado provavelmente no início do século XVI, merece ser conhecido.


Não são precisos grandes palácios para albergar grandes tesouros. Encaixada nas ruas estreitas da zona ribeirinha da Alfândega, a Igreja de S. Pedro de Miragaia não deixa adivinhar, por fora, que é a casa de uma obra de arte com mais de cinco séculos. O Tríptico do Espírito Santo, originalmente pintado para a Capela do Hospital do Espírito Santo – a dois passos da igreja de Miragaia – e transferido para a localização atual no final do século XIX, é, segundo o Centro Nacional de Cultura, um “notável” exemplar do Renascimento flamengo.


“O Tríptico do Espírito Santo foi realizado na Flandres, porventura com participação de um pintor português e a sua data será entre 1512 e 1517”, apontou a investigadora Carla Ferreira.


Ao longo dos seus mais de 500 anos, o tríptico “sofreu algumas alterações”, nota Carla Ferreira: “Em 1637 foi, possivelmente, incorporado num retábulo e em 1887 foi trasladado para a Igreja de Miragaia devido ao estado de ruína da capela, alterando-se o retábulo que o emoldurava”.


“Em 1914 foi para Lisboa, a fim de ser conservado e restaurado, intervenção que foi realizada por Luciano Freire, regressando à Igreja em 1926”, acrescenta ainda a investigadora, sublinhando que a autoria do tríptico “encontra-se ainda por desvendar, porém aponta-se para uma escola de Antuérpia”. No portal da Direção-Geral do Património Cultural admite-se que o pintor flamengo Bernaert van Orley, comparado na sua época ao mestre italiano Rafael, seja o autor do tríptico.


Autor: Filipa Brito


A obra engloba nos seus painéis várias representações religiosas: ao centro o Pentecostes; S. João Baptista e o doador, provavelmente João de Deus II (à esquerda de quem observa); e S. Paulo (à direita). Quando fechado, o tríptico exibe a Anunciação.


Autor: Filipa Brito


A Igreja de São Pedro de Miragaia, tal como a conhecemos hoje, resulta da reedificação, em 1740, do primitivo templo medieval que ali existia e terá sido parcialmente demolido. É, com naturalidade, dedicada a S. Pedro, tendo em conta que Miragaia era historicamente um local habitado por pescadores.


O seu exterior distingue-se pelos azulejos que revestem a fachada e também a torre lateral, aplicados entre 1863 e 1876. No interior, a simplicidade da igreja contrasta “com a opulência da talha barroca que reveste integralmente a capela-mor”, assinala a Direção-Geral do Património Cultural, reforçando: “Juntamente com Santa Clara, ou São Francisco, é um exemplo significativo de igreja forrada a ouro”.

  • Câmara Municipal do Porto


    Atualizado pela última vez 2021-02-18

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