Eles nunca estrearam fora do Japão e nós, espectadores, nunca vimos, pela lente deles, o Japão dos anos 50 – e o muito que a sociedade mudou de lá para cá. O Teatro Campo Alegre acolhe, de 11 a 17 de novembro, o ciclo de cinema “Mestres Japoneses Desconhecidos”, um conjunto de três filmes que resulta de uma parceria entre a Medeia Filmes e a editora e distribuidora The Stone and The Plot.

 

Os nomes de Kôzaburô Yoshimura, Tomotaka Tasaka e Tomu Uschida são praticamente desconhecidos fora do seu país.

 

Quando pensamos em cinema com selo (de qualidade) do Japão, serão poucos aqueles (ou quase nenhuns) que, de cabeça, sem recorrer a uma pesquisa rápida no smartphone, se lembrarão destes nomes – facilmente enumeramos nomes como Akira Kurosawa, Yasujirō Ozu, Kenji Mizoguchi ou, mais recentes, Hirokazu Koreeda ou Naomi Kawase.

 

Todos eles têm mantido contacto e presença permanente nos cinemas nacionais em ciclos de homenagem, em sessões especiais ou em meras exibições caseiras, através da mágica porta de acesso ao mundo sem sair do sofá.

 

Mas há autores que, devido a várias circunstâncias (sociais, económicas, culturais…) não tiveram as mesmas oportunidades de expandir o seu cinema fora de portas.


Foi a pensar nisto que a Medeia Filmes, numa parceria com a editora e distribuidora The Stone & The Plot, com curadoria e escolha de Miguel Patrício, programa agora um ciclo de três filmes no Teatro Municipal - Campo Alegre, sob o título genérico de “Mestres Japoneses Desconhecidos”.

 


Três filmes


Em comum, uma data: 1955. Todos os filmes propostos neste (mini) ciclo estrearam nesse ano, o que permite avaliar de que forma os autores retratavam o seu Japão, dez anos depois do lançamento das bombas atómicas sob as cidades de Hiroshima e Nagasaki (com consequências devastadoras que a história não permitiu – nem permitirá – ocultar!).

 

O que nos permite ver, então, estes filmes nunca estreados anteriormente em Portugal?


Um dos filmes a ser apresentado é “O Menino da Ama”, de Tomotaka Tasaka, a história de uma jovem rapariga recentemente saída do campo que chega à cidade dos seus sonhos, Tóquio, apenas para descobrir que a superioridade da vida urbana é uma questão relativa – ninguém é mais que ninguém, sejam quais forem as suas raízes.


Outro dos filmes é “Mulheres de Ginza”, de Kôzaburô Yoshimura. Neste trabalho, o realizador procura retratar a vida de uma casa de gueixas na capital japonesa, perto da Ginza, o elegante bairro comercial de Tóquio.

 

Por fim, o filme “Cada Um Na Sua Cova”, de Tomu Uschida, critica fortemente a situação das mulheres na sociedade japonesa. O enredo segue cinco membros de uma família, que se esforçam para lidar com a vida durante o pós-guerra.

 


Programa das Sessões:


Quinta-feira, 11

18h15 – “Cada um na Sua Cova”, de Tomu Uschida

21h45 – “As Mulheres de Ginza”, de Kôzaburô Yoshimura

 

Sexta-feira, 12

18h15 - “As Mulheres de Ginza”, de Kôzaburô Yoshimura

21h30 – “O Menino da Ama”, de Tomokata Tasaka

 

Sábado, 13

15h30 - “Cada um na Sua Cova”, de Tomu Uschida

18h00 - “O Menino da Ama”, de Tomokata Tasaka (com conversa no final)

21h45 - “As Mulheres de Ginza”, de Kôzaburô Yoshimura

 

Domingo, 14

15h30 - “O Menino da Ama”, de Tomokata Tasaka

18h00 - “As Mulheres de Ginza”, de Kôzaburô Yoshimura (com conversa no final)

21h30 - “Cada um na Sua Cova”, de Tomu Uschida

 

Segunda-feira, 15

18h15 - “As Mulheres de Ginza”, de Kôzaburô Yoshimura

21h30 - “O Menino da Ama”, de Tomokata Tasaka

 

Terça-feira, 16

18h00 - “O Menino da Ama”, de Tomokata Tasaka

21h30 - “Cada um na Sua Cova”, de Tomu Uschida

 

Quarta-feira, 17

18h00 - “Cada um na Sua Cova”, de Tomu Uschida

21h30 - “O Menino da Ama”, de Tomokata Tasaka

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    Atualizado pela última vez 2021-11-03