O primeiro museu ibérico do género era para abrir a 27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, no entanto, com os museus fechados por causa da Covid-19, isso não aconteceu. Mas como a memória do genocídio se quer perpétua, passados mais de dois meses, o Museu do Holocausto do Porto inaugura, e a entrada é gratuita até ao mês de junho.


É na Rua do Campo Alegre que se vai poder conhecer por dentro um dos acontecimentos mais importantes da História. A Comunidade Judaica do Porto, cujos pais, avós e familiares foram vítimas dos nazis na Segunda Guerra Mundial, reproduziu os dormitórios do campo de concentração de Auschwitz, uma sala com os nomes das vítimas, um memorial da chama, mas também salas de cinema e de conferências e um centro de estudos.


À imagem do Museu do Holocausto em Washington DC, nos Estados Unidos, os corredores do espaço procuram contar toda a história da perseguição, tortura e assassinato de mais de seis milhões de pessoas pela Alemanha de Adolf Hitler através de fotografias e ecrãs que exibem filmes reais sobre um acontecimento também conhecido por "Shoah" ou "Solução Final".


Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto da capital norte-americana todos os arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense de que dispunha. Estes arquivos, agora regressados à cidade, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais. No museu que agora abre portas estarão ainda expostos documentos e objetos, os Sifrei Torá (rolos da Torá), deixados pelos refugiados na Sinagoga do Porto durante a Segunda Guerra Mundial.


Nas palavras dos organizadores do espaço, o Museu do Holocausto do Porto apresenta “a vida judaica antes do Holocausto, o nazismo, a expansão nazi na Europa, os guetos, os refugiados, os campos de concentração, de trabalho e de extermínio, a Solução Final, as marchas da morte, a libertação, a população judaica no pós-guerra, a fundação do Estado de Israel, vencer ou morrer de fome, os justos entre as nações”.


Mas não só. O objetivo passa também pelo investimento no ensino, na formação profissional de educadores, bem como na promoção de exposições, com forte incidência na investigação. A 20 de setembro, por exemplo, tem lugar a primeira dessas ações de formação, dirigida aos professores e que vai contar com a presença de sobreviventes do Holocausto, assim como de representantes de outros museus do género pelo mundo.


"São esperados milhares de turistas no verão e cerca de 10 mil alunos de escolas ao longo do ano", acredita Josef Lassmann, membro da Comunidade Judaica do Porto, citado em comunicado. Com entrada gratuita até junho, o Museu do Holocausto funcionará nos dias úteis entre as 14,30 e as 17,30 horas.



Município associa-se ao Projeto Nunca Esquecer


Relacionado com o mesmo tema, refira-se que a Câmara do Porto associou-se ao Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto - Projeto Nunca Esquecer, lançado por ocasião dos 80 anos sobre o salvamento pelo Cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, de milhares de homens, mulheres e crianças, muitos deles judeus.


O Programa recorda e condena o terror e a destruição dos anos dramáticos da Segunda Guerra Mundial, o extermínio de milhões de judeus, incluindo mais de um milhão de crianças, e ainda a perseguição e morte de milhares de tantos outros considerados “indesejáveis” – entre eles, ciganos, cidadãos portadores de deficiência, homossexuais, intelectuais e opositores políticos.


É também objetivo deste programa, evocar o sofrimento das vítimas, incluindo os cidadãos portugueses detidos em campos de trabalho forçado, em campos de concentração nazis e os que foram feitos prisioneiros de guerra, sem esquecer as vagas de refugiados que procuraram abrigo em Portugal durante a guerra, e a ação corajosa de salvadores portugueses.


+ info: Projeto Nunca Esquecer - Programa Nacional em torno da Memória do Holocausto

Mais artigos

  • Câmara Municipal do Porto


    Atualizado pela última vez 2021-04-06