Fado é sinónimo de destino

Define-se como género musical português, interpretado por homem ou mulher – fadistas - e onde se utiliza, por norma, uma guitarra portuguesa e uma guitarra clássica. O andamento lento do Fado está associado à nostalgia e à melancolia, sobretudo quando as letras fazem referência a temas como a saudade e o amor. Por oposição, o andamento rápido é utilizado nas interpretações de temáticas satíricas, irónicas ou humoristas.


Desde a sua origem o Fado é sinónimo de destino, fatalidade, melancolia e saudade, fazendo paralelamente uso de outros modos de expressão como os géneros humorísticos e a crítica política e social.


Origem


A complexidade em definir com exatidão a origem do Fado está na base da proliferação de teses, teorias e opiniões entre os seus estudiosos, quanto à sua génese: uns defendem uma raiz africana, outros, uma procedência afro-brasileira, outros ainda, uma origem portuguesa.


Dentre estas diversas perspetivas, os consensos convergem para uma origem afro-brasileira do Fado, provindo de uma dança, o Lundum (originária da África Ocidental), dançada no contexto colonial do Brasil, mas conhecida em Portugal desde o séc. XV. O ritmo lento e cadenciado do Lundum está muito próximo das versões cantadas do Fado no século XIX. 


De facto, o Fado afirma-se a partir de 1820, no contexto urbano e marginal de Lisboa, sendo cantado em ruas, tabernas, mas também em touradas, feiras e romarias, teatros, coletividades e em tantas outras manifestações, popularizando-se rapidamente. Desta época foi imortalizado um nome, Severa - Maria Severa Onofriana (1820-1846), figura icónica associada ao Fado e que cantava no Bairro da Mouraria. 


A partir da década de 30 do séc. XX este paradigma sofre uma alteração significativa e o Fado adquire outro estatuto, passando a ser interpretado em restaurantes, por norma pequenos e com decoração que faz uso de iconografia associada a este género musical e com um programa regular de sessões de fados muitas vezes com cartaz fixo de fadistas. As casas de fado proliferam entre a década de 50 e 60 do séc. XX nos bairros típicos de Lisboa. Alfredo Marceneiro (188-1982) - outro nome de relevância do Fado, inicia a sua carreia aos 14 anos cantando o Fado nos bairros populares e tendo alcançado grande fama que prevaleceu ao longo da sua vasta carreira.


A massificação popular do Fado, nas décadas de 50 e 60, é devedora da importância que a rádio passa a ter na sua difusão, fenómeno que também se explica à luz do impulso da indústria discográfica. 


Utilizado pelo Estado Novo como veículo propagandístico do regime, o Fado entra em decadência na década de 70, concorrendo para esta situação o desinteresse dos média na sua difusão, o afastamento do público atraído por outro tipo de músicas, sobretudo estrangeiras, a emergência das músicas de intervenção, de oposição ao regime, que adquirem um estatuto privilegiado durante e pós o 25 de Abril e a diminuição drástica de espetáculos de Fado no país e no estrangeiro.

Património Musical Português

Em 1980 o Fado é reconhecido como Património Musical Português, passando a ser visto com interesse nos meios musicais internacionais e despertando, de novo, a atenção da indústria discográfica. Todavia esbate-se o seu peso face a outros géneros musicais. Neste período, apesar de uma sentida mudança, somente os fadistas de primeiro plano conseguem gravar e manter uma agenda de espetáculos regular sobretudo no estrangeiro, como sucede com Amália Rodrigues, nome maior do Fado e figura incontornável da sua história. A primeira aparição pública de Amália sucede em 1935 e a sua estreia como profissional em 1939, na qualidade de solista nas festas dos santos populares. Desde cedo aclamada pela crítica, Amália inicia na década de 50, digressões pelos cinco continentes, internacionalizando-se a si e ao Fado como género musical português. Falar de Amália é falar também de inovação no Fado destacando-se em particular a incorporação da poesia de David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’ Neill e Vasco de Lima Couto, entre outros. O seu repertório musical incluía ainda o cancioneiro de Garcia de Resende e Camões e poemas da sua autoria. A Amália se deveu a adoção dos vestidos negros e dos xailes, indumentária que passa a estar associada ao fado interpretado no feminino.

Uma nova geração de fadistas

Na década de 90, a incorporação de novos estilos e o recurso a uma variedade de instrumentos como o contrabaixo, o acordeão, a tuba e o saxofone deram origem a novas sonoridades no Fado, inovações que haviam sido experimentadas com notável êxito com Alain Oulman e Amélia Rodrigues e Carlos do Carmo. A estes fatores acresce ainda a formação musical, cada vez mais eclética, dos intérpretes que concorreu para dotar o Fado de um timbre de erudição, assumindo protagonismo no contexto cultural do país e distanciando-se das componentes de espontaneidade e improvisações que estiveram na sua origem e que ainda subsistem em algumas casas de fado amador.


Neste contexto, a partir de 2000, uma nova geração de fadistas alcança notoriedade nacional reforçando a internacionalização deste género musical. Nomes como Mariza, Mísia, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Camané, Ana Moura, Carminho, António Zambujo, entre outros, conquistaram êxitos assinaláveis e reforçaram a projeção do Fado tanto em Portugal, como no estrangeiro.


O Fado obteve em 2011 da UNESCO, a classificação de Património Imaterial da Humanidade. É hoje uma marca associada à identidade de Portugal.

Fado no Porto...

Como o Fado é o nosso património musical mais reconhecido, aqui fica uma lista de locais onde poderá disfrutar de espectáculos deste género:


Segunda-feira

  • O Mal Cozinhado
  • O Fado​
  • Herança Magna​


Terça-feira

  • O Mal Cozinhado
  • O Fado
  • Fado in Porto – Caves Calém
  • Herança Magna
  • Tasca do Bairro
  • Adega Rio Douro "Casa Piedade" (à tarde – 16:00-19:30)


Quarta-feira

  • Casa Santo António
  • Casa da Mariquinhas
  • O Mal Cozinhado
  • O Fado
  • Fado in Porto – Caves Calém 
  • Herança Magna


Quinta-feira

  • Casa da Mariquinhas 
  • O Mal Cozinhado
  • O Fado
  • Fado in Porto – Caves Calém 
  • Herança Magna


Sexta-feira

  • Casa da Mariquinhas
  • O Mal Cozinhado 
  • O Fado
  • Fado in Porto – Caves Calém
  • Herança Magna


Sábado

  • Casa da Mariquinhas
  • O Mal Cozinhado
  • O Fado
  • Fado in Porto – Caves Calém
  • Café Guarany
  • Herança Magna​


Domingo

  • Alma Portuense (todos os domingos às 20:30)
  • Fado in Porto – Caves Calém
  • Herança Magna
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  • Visit Porto


    Atualizado pela última vez 2020-01-07

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