Inventória de Ana Jotta

Até 08/05/2020

7 €

Entramos na casa. Está vazia. O dono acabou de se mudar ou então está prestes a mudar-se. Nenhuma cama, nenhuma mobília, nenhuns livros. Vêem-se uns quantos objetos, três candeeiros, algumas decorações, uma pequena mesa de jogos e um sem-número de estranhos rabiscos nas paredes. “Viver é deixar traços”, diz Walter Benjamin quando discute o nascimento do interior doméstico. “No interior, eles são acentuados. É criada uma abundância de coberturas e protetores, revestimentos e caixas, nos quais os traços dos objetos de uso quotidiano ficam gravados. Os traços do ocupante também deixam a sua marca no interior. A história de detetives que segue esses traços ganha forma. (…) Os criminosos dos primeiros romances policiais não são nem cavalheiros nem apaches, mas membros da burguesia.” A obra de Jotta está inseparavelmente ligada ao interior – à sua casa, que como uma grande obra de arte se assemelha a uma construção algures entre o Merzbau de Schwitters, o Wunderkammer, ou a casa-atelier de Dieter Roth, repleta de coisas e obras de arte, onde é impossível distinguir o estatuto de cada uma delas, e onde também é quase impossível movermo-nos, dominada que ela está por um total horror vacui. Na exposição INVENTÓRIA, Jotta constrói um cenário invertido: o amor vacui e o vazio tornam-se o tema principal desta instalação radical. Como a artista sugere na “folha de sala” que escreveu para acompanhar a exposição, entramos num “programa de filmes à la Salle Noir” em quatro atos, um enigmático cenário de filmagens com uma última contredanse dançada num baile desconhecido, talvez na Villa Santo Sospir, talvez na Casa São Roque. Local: Casa São Roque - Centro de Arte, Rua São Roque da Lameira nº2092

O teu Inverno é a minha Primavera de Rosa Batista

Até 28/02/2020

No mês de Fevereiro, a Fundação Altice apresenta no Espaço Tenente Valadim a exposição “O teu Inverno é a minha Primavera”, de Rosa Baptista. “Este conjunto de desenhos a grafite são registos de plantas e raízes que por falta de cuidado e atenção ou ainda por abandono, secaram, perderam o seu vaso ou o seu lugar na terra. Eu sou a planta descuidada, sou o seu lamento lento enquanto definha, sou a autora ou cúmplice deste sofrimento e sou ainda uma espécie de sacerdotisa que num ritual “sagrado” cria um elemento que atenua, aceita e incorpora com dignidade e significado o processo de transformação entre a vida e a morte – o desenho.” Neste trabalho crio a “importância” nas coisas e reservo-lhes atenção e reflexão. Não estou diretamente a alterar o desperdício que fabrico por existir, mas estou a querer que tudo seja considerado mais importante e merecedor da nossa atenção como estímulo para mudança de pensamento. Só com a consciência do fim e da perda podemos preservar. Tudo deveria ser mais sagrado, até os nossos atos. Esta criação artística “vegetalista” do que parece estar em fim de ciclo de vida, insere-se no tema que a Fundação Altice vai promover ao longo de 2020, de defesa do meio ambiente e de promoção de práticas de sustentabilidade. Esta é a causa das nossas vidas. Rosa Baptista nasceu em 1975 e é natural de Lagos. Atualmente vive e trabalha em Lisboa. Licenciou-se em Artes Plásticas em 2012 pela ESAD nas Caldas da Rainha. Anteriormente teve formação artística em várias escolas entre as quais: a ar.co, a SNBA e o IPO.FRES. É artista residente na MArt desde 2015. Tem participado desde 2012 regularmente em exposições coletivas dentro e fora de Portugal.