Sobre

Palavras são palavras: é sabido / Que o coração se trata pelo ouvido?
Olhemos uma vez mais para o que “não soube amar e muito amou”, como diz o “Mouro de Veneza” de si mesmo. Mas só existe Otelo – o “estranho forasteiro/ de aqui e toda a parte” – porque existe Iago, o profeta do ressentimento e da desordem, e porque existe a bela Desdémona, palavra shakespeariana que significa “amor”. Nuno Carinhas concentrou o seu olhar neste bizarro triângulo amoroso, o núcleo mais íntimo ou claustrofóbico da mais pungente “tragédia doméstica” de Shakespeare. O espetáculo começa e termina numa escuridão que é perfurada pela luz. E avança, imparável, por entre as sombras de Veneza e Chipre, geografias da ordem e do caos, rodeadas de água, elemento que conduz, espelha, distorce. Tragédia por excelência da dúvida e da vulnerabilidade, Otelo surgiu no TNSJ um ano depois de Macbeth, formando um díptico shakespeariano onde Nuno Carinhas colocou em perspetiva duas radicais e exuberantes visões do mal. “Só se vê a maldade em pleno uso.”

Quando

De Sexta-feira, 1 Maio 2020 22:00 a Domingo, 3 Maio 2020 00:00

Galeria

  • Promotor
    Teatro Nacional São João
  • Audiência Alvo
    Público em Geral
  • Visit Porto

    2020-04-29