A Igreja da Ordem da Trindade foi classificada como monumento de interesse público. Construída no século XIX, “contribuiu para definir e consolidar uma nova centralidade na vivência urbana do Porto, mais tarde reconhecida pela instalação da própria sede do município na mesma praça”, assinala a portaria publicada em Diário da República.


A classificação atendeu “ao caráter matricial do bem, ao seu interesse como testemunho simbólico ou religioso, ao seu valor estético, técnico e material intrínseco, à sua conceção arquitetónica e urbanística, e à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva”, pode ler-se na portaria assinada pela secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Carvalho Ferreira.


Obra do arquiteto bracarense Carlos Amarante, o conjunto arquitetónico da Igreja da Trindade (que inclui o edifício original do hospital adjacente) está integrado “no processo de transformação da cidade medieval em cidade moderna”.


“Curiosamente, embora nunca tenha visto o seu projeto na Invicta concluído, o arquiteto está sepultado no interior da Igreja da Trindade”, informa a Direção-Geral do Património Cultural.


Com efeito, a construção da igreja atravessou todo o século XIX, tendo, por esse motivo, a execução do projeto original conhecido várias alterações. A inauguração da nave marcou o ano de 1841, mas teriam de se esperar mais 11 anos para se deitar mão à obra da capela-mor, devido à falta de fundos. A obra terminou apenas em 1892, já depois também de inaugurado o hospital.


Na portaria é ainda realçada “a imponente fachada granítica e a sóbria linguagem neoclássica do exterior que se conjugam com os retábulos de talha, entre os quais se destaca o retábulo-mor, assinado por Marques da Silva e datado já de 1903”.


Apesar do longo processo construtivo, a também conhecida como Igreja da Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade apresenta-se “estilisticamente coerente, exemplificando, numa fusão muito característica da obra de Carlos Amarante, a transição entre o esplendor do barroco e o forte caráter funcional do neoclassicismo”, sustenta a publicação.


Atualmente, toda a igreja e o hospital estão a ser alvo de obras de reabilitação.

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    Atualizado pela última vez 2021-05-18