A região e o vale do Douro

Região do Douro
Imagem:  Cristina LisboaCC BY-NC-SA - Alguns Direitos Reservados

As encostas do Vale do Douro, trabalhadas secularmente pelo homem, para a plantação de vinha, deu origem a uma paisagem única e irrepetível. Este território, especial pelas suas particularidades geomorfológica e climática, foi demarcado em 1756, tornando-se na primeira região demarcada de vinhos do mundo, sendo esta a origem do famoso Vinho do Porto. O Reconhecimento maior do seu valor patrimonial: natural e cultural, traduziu-se na atribuição, em 2001, do selo Património da Humanidade por parte da Unesco como paisagem cultural evolutiva viva – o Alto Douro Vinhateiro.

O Vale do rio Douro também é marcado por outra paisagem, natural que enquadra os Parques Naturais do Douro Internacional, do Alvão e, ainda que mais distante, do Geoparque de Arouca.

O Rio Douro flui da fronteira com Espanha para leste da cidade do Porto e, dependendo da altura do ano, as suas encostas podem estar decoradas com amendoeiras e cerejeiras em flor ou com o labor das vindimas.

A unir estes dois Patrimónios da Humanidade está o vinho, nascido no Douro e batizado no Porto, um vinho generoso, refinado, rico em aroma, cor e sabor, um mundo de sensações que se aprende a descobrir.

Localização

O Douro situa-se no nordeste de Portugal, protegido dos ventos húmidos do Atlântico pelas montanhas do Marão e Montemuro; apresenta-se circundado a Norte por Trás-os-Montes, a Oeste pelo Minho e pelo Porto e a Este pela Região espanhola de Castela e Leão.

A região estende-se por 250 000 ha, mas a vinha ocupa 40 000 ha nas bacias profundas encaixadas do Douro e seus afluentes: o Corgo, o Torto, O Pinhão, o Tua, o Côa, entre outros. Esta região está subdividida em três sub-regiões – o Baixo Corgo a oeste, no centro o Cima-Corgo e a leste o Douro Superior – com variadas expressões mesoclimáticas, mas sempre com invernos frios e verões quentes e secos.

A conjugação destes fatores, aliada à nobreza das castas utilizadas, é determinante na qualidade e genuinidade dos vinhos, que não são mais do que a expressão do harmonioso casamento entre a terra, o clima e amor à arte do homem.

Este espaço natural acompanha, longitudinalmente, os rios Douro e Águeda nos seus troços fronteiriços durante mais de 120 km de comprimento abrangendo 4 concelhos: Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.

A importância faunística deste espaço natural, onde se incluí também o Parque Natural Arribes del Duero, é inquestionável, sobretudo no que diz respeito às grandes aves de rapina e à cegonha negra. As vertentes escarpadas desta área oferecem a tranquilidade necessária para albergar as inúmeras aves que aqui se reproduzem, como o Grifo, o Abutre do Egipto, símbolo do Parque Natural do Douro Internacional, a Águia Real, a Águia de Bonelli e a Cegonha-preta.

Importantes populações de mamíferos podem também se encontrados neste parque, sobretudo o lobo, o corço, o javali, a lontra e a raposa.

Sendo os bosques de Carrascos (Quercus rotundifolia) os mais representativos, encontramos também os sobreirais (Quercus suber), os zimbrais (Juniperus oxycedrus) e os carvalhais de carvalho negral (Quercus pyrenaica). Comunidades arbustivas de estevas, giestas, cornalheiras, lavandas e urzes, conjuntamente com os bosques hidrófilos de salgueiros e amieiros, contribuem para o equilíbrio desta área.

O Vale do Douro

A UNESCO designou a 14 de Dezembro de 2001 o Alto Douro Vinhateiro 45° 68' N, 5° 93' W Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural; este estatuto foi o culminar de um processo de candidatura que ganhou contornos pelas mãos da Fundação Rei Afonso Henriques.

O Alto Douro Vinhateiro tornou-se a 13ª zona do país classificada e o 5º elemento do grupo vitivinícola, juntando-se às regiões de Val du Loire e Saint Émilion (França), Cinque Terre (Itália) e Wachau (Áustria).

A área classificada engloba 24,6 mil hectares, espalhados por 13 concelhos: Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Alijó, Sabrosa, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Lamego, Armamar, Tabuaço, S João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa; representa dez por cento da Região Demarcada do Douro.

Inserida nesta região, e no Vale do Rio Côa, acha-se o mais importante conjunto de figurações artísticas, de ar livre do mundo, integradas na Pré-história, Proto-história e História, que valeu em 1998, a classificação da Unesco como Património Mundial.

Trata-se de um conjunto que se estende por 17 quilómetros, constituído por 23 sítios com gravuras rupestres que se agrupam por três núcleos diferenciados. O Vale do Côa dispõe de um museu de arte e arqueologia construído entre 2007-2010. O projeto do Museu do Côa foi da autoria dos arquitetos Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo. É uma homenagem à obra combinada do Homem e da Natureza, que vem a ilustrar o valor universal do papel ativo de uma cultura e uma paisagem de excelência.

Origens

A ocupação do Vale do Douro remonta à pré-história e desde a romanização se desenvolveu a cultura da vinha. A paisagem dos vinhedos testemunha formas de organização do solo e cultivo da vinha em diferentes períodos da histórica.

Na origem a paisagem deserta, de fragas escarpadas dominadas pelo xisto e pelo granito era coberta por matas e arbustos típicos de um clima entre o atlântico e o mediterrâneo, que se torna mais seco à medida que se caminha para o interior.

Ao longo de três séculos, criaram-se técnicas de aperfeiçoamento e valorização do terreno que permitiram o cultivo da vinha em condições adversas, em encostas íngremes e pedregosas, através da construção de socalcos, suportados por extensos muros de xisto que contribuem para evitar a erosão.

A paisagem foi modelada de forma inconfundível, para a transformar em milhares de quilómetros de vinha.

As imensas plantações de bardos paralelos, em socalcos e patamares na horizontal, em vinhas ao alto, ou agora mais frequentemente alternando as duas modalidades, formam impactantes mosaicos geométricos. A sua estratificação em escadarias que rasgam montanhas conjuga-se com a lisura de um rio transformado numa sucessão de lagos pela construção de barragens.

Data publicação 13-09-2013
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